Somos todos filhos da pirataria

Cada vez mais cresce o debate entre quais os desígnios económicos dados à política e os desígnios políticos dados à economia. Isto é, cresce no fundo o debate sobre que desenho de selectividade se quer estruturar e implementar nas dimensões sociais.

Os com-bates entre as selectividades neo-liberais, capitalistas e comunistas prometem cada vez mais aquecer o panorama mediático, mas não só. Aproximamo-nos, defendem vários autores, do tipping point (utilizando a expressão de Malcolm Gladwell), onde uma transformação terá de ser operada dentro do sistema auto-referencial. Dentro destes com-bates uma das questões é se o sistema capitalista está morto (ou está em vias de morrer)?

Qual é a pressuposição desta pergunta? Bem, para a podermos fazer, temos de aceitar que o esquema capitalista está em falência (pun) e é necessário um novo esquema de selecção. Mas esta pressuposição remete para uma nova selecção diferente do capitalismo, e admite que até agora que só o capitalismo, no sentido neo-liberal pós-Muro, se manteve activo. Mas se olharmos realmente para a actividade produtiva das partes económicas observamos certas inconsistências e contradições, precisamente no esquema capitalista que o mantêm e o alimentam, fazendo parte da sua auto-reprodução sistémica.

Quero apenas centrar-me no fenómeno da pirataria em relação àquilo que se designa de ‘propriedade intelectual’.

Um determinado tipo de indústria promove a acumulação de capital através da capitalização da propriedade intelectual sobre um determinado produto. A propriedade intelectual aparece no momento em que importância de produtos desmaterializados aparecem ao sistema capitalista, e ao qual este tem dificuldades de colocar um valor de trabalho em algo que se desmaterializa-se.

O problema é que precisamente a desmaterialização juntamente com as revoluções tecnológicas das últimas quatro décadas, coloca o produto à disposição de quem possui a tecnologia apropriada para utilização do produto. Neste tipo de meio de produção a sua característica de iteração do produto passa a ser uma das fontes da capitalização do mesmo.

A pirataria veio destruir esta característica. A pirataria ‘pegou’ no produto desmaterializado e colocou-o à disposição, pendente do acesso tecnológico de uma larga comunidade sedenta de consumir esse produto, mas sem possibilidades (ou desejo) de pagar o valor intelectual dele.

Há quem defenda que esta característica é a subversão do sistema capitalista. A destruição da propriedade privada, em favor da propriedade pública.

Contudo penso que esta situação apresenta apenas uma contradição do próprio sistema económico capitalista. Basta para isto verificar em relação aos produtos mais pirateados, ao mesmo tempo, a sua capitalização e popularidade. Um exemplo, o sistema operativo Windows, nas suas várias versões, não é de todo um fiasco capitalista, muito pelo contrário (chegou mesmo a ser um monopólio contemporâneo), contudo arrisco-me a afirmar que terá sido um dos produtos mais pirateados de sempre.

Por isso, para aqueles ingénuos que andam a tentar promover políticas capitalistas de caça à pirataria, são dogmáticos de um sistema pretensamente económico do valor respectivo pela reposição do produto. Contudo, este fenómeno faz parte do circuito capitalista, com todas as consequências que isto apresenta.

Na minha perspectiva, neste momento somos todos, TODOS, filhos da pirataria. Duvido seriamente que alguém nunca tenha usufruído da ‘pirataria’ para acesso a algum produto. E vou mais longe. Falando pessoalmente, se não fosse a pirataria eu não teria tido acesso a produtos e informações, que de outra maneira, na relativa posição geo-económico-social que me encontro (e a maioria das pessoas em Portugal se encontra), nunca teria tido acesso.

Isto coloca imensos problemas. Primeiro, a ideia de que nós todos estamos, não a subverter o capitalismo das indústrias que se baseiam na propriedade intelectual, mas a ser componentes num circuito sarcástico do próprio sistema capitalista. E segundo, mesmo dentro deste circuito, a suposta defesa comunista ou social da pirataria, além de não perceber a contradição do capitalismo, não percebe que mesmo a usufruição de produtos pirateados não acrescenta, e sublinho, NÃO ACRESCENTA, nada à inteligência ou capacidade intelectual das pessoas que a têm consumido, nem demonstra a tese da subversão do cpaitalismo.

Devemos pensar nisto.

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Jerry Mander – Argumentos para a eliminação da televisão

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“Uma imagem vale mais que mil palavras. Mas…”

'Uma imagem vale mais que mil palavras e uma palavra vale mais que mil imagens.'

Uma das ideias recorrentes da nossa cultura é a ideia traduzida na proposição de que ‘Uma imagem vale mais que mil palavras‘. Esta ideia representa um determinado ponto de vista sobre a centralidade na dimensão visual em detrimento de outras dimensões.

Concordo que, no visionamento de uma imagem, o cérebro tenha capacidade de processar e extrair múltiplas informações em tempo real (= em simultaneidade), e que uma pessoa treinada em hermenêutica da imagem, retire mais informação que dela aparece com alguma validade semiótica.

Todavia a expressão permanece incompleta se apenas admitirmos esta dimensão visual em detrimento de outras. Esta experiência promove uma ilusão, um mito recorrente, que depois contamina o tecido social psíquico i.e., o tecido da comunicação. Esta contaminação pode expressar-se na seguinte proposição ‘o que não se vê (o que não tem imagem) não vale mais mil palavras’, i.e., não ‘existe’. E não é preciso ser-se muito inteligente para se ver isso a acontecer.

Que podemos aceitar que ‘Uma imagem vale mais que mil palavras’ aparece como aceitável, contudo esta encontra-se incompleta. Falta metade. E esta metade que falta exprime-se na seguinte proposição ‘ e uma palavra vale mais que mil imagens’. Assim a proposição completa exprime-se da seguinte maneira ‘Uma imagem vale mais que mil palavras e uma palavra vale mais que mil imagens’. Esta proposição não é nada de extraordinário. Esta ideia faz parte de quem a ouve desde sempre. Apenas ficou invisível quando se adoptou, apenas e tão só, o paradigma da cognição pela imagem. E é realmente delicioso observar os olhos de uma pessoa a arregalar-se e a brilharem simultaneamente, quando apresento esta nova proposição. É realmente extraordinário. Parece que começam a ‘ver’ um mundo novo. ‘Literalmente!’

A partir daqui, todo um trabalho de expansão do novo paradigma se pode fazer, adicionando à proposição dimensões que sempre estiveram ‘aqui’, mas sem oportunidade de se mostrarem. Por exemplo, podemos recombinar a proposição de várias formas: ‘uma melodia vale mais que mil imagens, do que mil palavras, do que mil gestos, etc.…’.

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Joe Sabia: A Tecnologia para contar histórias

Brilhante!

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A distinção entre Criação e Criatividade

Nos últimos dias tenho sido confrontado com o desafio de responder a uma longa discussão entre o chamado pensamento normal e o pensamento criativo. Mais especificamente, sobre a geração da criatividade.

Eu venho de uma área onde se espera que exista criatividade, onde se espera que uma pessoa seja criativa. Ser-se igual é um defeito, uma anomalia a ser eliminada. Existe mesmo um bloqueio emocional a ser-se igual. É preciso ser-se diferente, único, original, criativo!

Em tese, a proposição aparece como interessante. Sim, precisamos de ser criativos, e a criatividade falta como notas e moedas de Euros nos bolsos dos portugueses.

Contudo é o meu ponto de vista que a discussão começa mal logo de início

Não percebo qual é o problema de se ser igual aos outros, quando tal possa ser relevante. Não percebo mesmo. Mas para quem quer ser criativo, isto é uma blasfémia. É preciso ver uma coisa que nunca ninguém viu, e apresentá-la ao mundo como conquista triunfal. Isto é ingénuo. Ingénuo por que o critério para quem quer ser criativo, baseia-se no próprio acto de normalidade. E ter este critério como o único critério, não leva as pessoas muito longe. Infelizmente.

Para se perceber esta noção de pensamento criativo, temos de fazer a distinção entre CRIAÇÃO e CRIATIVIDADE. E embora seja difícil explicar esta distinção meramente por palavras, ela é necessária se a pessoa deseja expandir o seu, e de outros, conjunto de possibilidades.

A CRIATIVIDADE é uma propriedade a um dado conjunto de ‘coisas’ criativas. Em si não apresenta nada criativo, mas sim algo que é já criativo. Ora se é criativo, a criatividade é apenas uma descrição desse estado de coisas. Mas para se fazer esta distinção, precisamos sim do diferencial normalidade|criatividade. Mas apenas e tão só a jeito de descrição.

O verdadeiro ‘local’ aonde temos de focar a nossa atenção é para a CRIAÇÃO. A Criação é um espaço de onde nasce as possibilidades de criar. É um local de TRANSFORMAÇÃO. E este local é comum para toda a gente, desde que estejam receptivas a se colocarem aí. Encontrando-se ‘aqui’, qualquer coisa é criativa, e qualquer coisa é criatividade, no sentido apenas de que emana da Criação.

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Técnicas para desenvolver um mapa mental

Algumas pessoas têm vindo a perguntar-me indicações sobre mapas mentais. Por isso, decidi fazer este vídeo para exemplificar. Deixem depois um comentário com as vossas opiniões!

Untitled from Luís Inácio on Vimeo.

Como falei no vídeo, aqui estão algumas ligações de software para mapas mentais:
FreeMind (livre e opensource)
Mindjet
iMindMap (desenvolvido diretamente com Tony Buzan, o criador de mapas mentais)

Deixem um comentário em baixo. Bem haja!


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