Construímos o nosso próprio destino?? Só podes estar a brincar…

Aquilo que se prende na atualidade sobre as formas da crise e afins tem de nos obrigar a ver, claramente, duas dimensões que permanecem intocadas nos fazedores de teoria dos dias de hoje. Primeiro, a dimensão de que a ‘crise’ enquanto sistema de comunicação se auto-reproduz sem qualquer tipo de consciência necessariamente. Isto é, que a ‘crise’ existe como análogo a forças da natureza, que impele e desloca-se com a sua força sem qualquer preocupação particular. E segundo, a incapacidade de elaborar claramente a correspondência entre a corrente estruturação do que é entendido como ‘o ser-se humano’ e o seu relacionamento direto com esta realidade.

Por outras palavras, a clara noção de que não há nada que, na visão contemporânea acerca natureza humana, esta possa fazer para assimilar determinadas reproduções comunicativas e processuais que se efectuem em relação a si mesmas.

E este tipo de noção tem sintomas. Conjugados num determinado tipo de sentimento que assombra e permeia as nossas vidas em relação ao que é o presente e ao que relativamente é o futuro. Uma vaga sensação de que algo nos está a escapar, a iludir, e não conseguimos realmente apontar para o quê.

Eu como viciado em teoria posso anunciar, em tom de provocação, qual é esta vaga noção. A de que, nós, seres humanos, não controlamos o nosso destino!

Uma das grandes ficções da nossa cultura contemporânea é a de que nós somos os senhores do nosso próprio destino. Pois ainda que tenhamos morto Deus à fome, pelo menos mantivemos aquilo que Ele nos deixou em herança, o livre-arbítrio! Aquilo que em última análise a crença de que eu escolho aquilo que eu quero fazer. “Eu construo o meu próprio destino!”, é a resposta que muitos dão. Na medida em que eu levanto o meu braço para me manifestar, eu decido levantar o meu braço para me manifestar!

Contudo, “eu, tal como Deus, não jogo aos dados, e não acredito em coincidências.” diz “V”, interpretado por Hugh Weaving, no filme V de Vendetta. (Esta frase faz parte do meu vocabulário. Quase que podia resumir todas as minhas teses nesta frase só. Todavia tenho de ser mais elaborado.) Isto é, nós, enquanto seres humanos, somos seres altamente-determinados! O porquê disto fica para outra altura.

Apenas deixo um repto por agora. Se não gostaste do que leste e achas que tens livre arbítrio, escreve algo nos Comentários e expressa a tua liberdade. Se achas que realmente não controlas o teu Destino, então rende-te à evidência, e escreve nos Comentários. Se achas que nada disto faz sentido, então estás ainda mais perdido na ficção do que eu pensava, e isso demonstra que existe muito trabalho a fazer para te libertar dessa ilusão. Bem haja!


Será que a tua opinião me vai matar? [~ 2min]

Desde que comecei a escrever ‘coisas’, sobressaiu sempre em mim o problema de ou (1) saber se tinha algo de substancial para dizer, ou de (2) ter a autoridade para a escrever, ou o de (3) não ter ainda toda a informação para a escrever. Todavia, apercebi-me que estes três aspetos costumam ser características generalizadas para quem pratica este tipo de profissão: a de escrever ou falar para/em público. E que cada pessoa lida com essas características à sua própria maneira individual. Leia o resto deste artigo »


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