Publicado: Março 13, 2012 | Autor: Luís M. Inácio | Filed under: Ética, Comunicação, Economia, Geração (à) Rasca, Política, Transformação | Tags: Ética, Comunicação, Economia, Geração (à) Rasca, marketing social, Política, Transformação |

Não consigo escapar à efeméride comunicativa sobre a manifestação da ‘Geração (à) Rasca’. Mais ainda porque há cerca de um ano, no pico comunicativo do acontecimento mediático, escrevi sobre a mesma no post, Algumas considerações sobre a etiqueta ‘Geração (à) Rasca’.
Em quase tudo a minha opinião mantém-se igual à desse post. Mas está na altura de ir mais longe nesta conversa.
Primeiro. O fenómeno da ‘Geração (à) Rasca’ marcou um ponto de viragem nas estruturações coletivas de intervenção ou manifestação pública de carácter online. Isto é, através de articulações sincopadas e sequenciadas em ‘redes sociais’, foi possível convocar, num primeiro momento, a aglomeração de várias pessoas, num segundo momento, na provocação de um evento mediático e cultural, isto é, torná-la evento comunicativo, e num terceiro momento, na organização coletiva em forma de manifestação de rua.
Este tipo de fenómeno tornou-se mais amplo e reconhecido na chamada ‘Primavera Árabe’, principalmente no início revolucionário no Egipto. Mas continua no meu ponto de vista, a ser olhada como sorte, ou acontecimento contingente. Isto é, ainda que eventos de algumas ONG’s, estou a lembrar-me da última sobre Kony 2012, baseados numa perceção muito clara de marketing social, é necessário perceber o tipo de intervenção cívica, num contexto comunicativo económico – e isto é que é importante – se pôde ‘mostrar’ (termo técnico) a quem realmente controla o poder económico comunicativo. Isto é, chegou a um momento em que foi impossível o poder comunicativo ‘olhar para o lado e assobiar’ como se não fosse nada.
Contudo, e este é o segundo ponto, tudo se esvaneceu em menos de um mês, tendo só sido agora recuperado, por motivo de efeméride, e logo, de acontecimento ‘historicizado’, isto é, inócuo para os dias de hoje mas como um curiosa recordação do passado.
No meu ponto de vista, a ‘Geração (à) Rasca’ estava desde logo condenada à irrelevância político-económica. Não só porque os argumentos eram fracos, mas também porque a sua visão do futuro passava necessariamente pela fição da ‘vitimização’.
A pressuposição era ‘ Isto é um contrato. Nós aceitámos o correspondente modelo ideológico de progressão social linear de ‘mercado de trabalho’, para vocês (governo, empresas) no final desse percurso, nos darem emprego. Nós fizemos a nossa parte. Façam agora a vossa!’ Isto quanto a mim era estar a jogar em puro efeito. Nunca em causa.
Não foi explorada realmente a oportunidade de iniciar uma transformação coletiva. Ou em termos marxistas, uma revolução na sociedade ideologicamente dominada por uma fição de ‘mercados de trabalho’!
Qual foi a consequência direta. Foi apenas o de fazer surgir na comunicação o advento comunicativo do ‘grande génio português’. Uma versão romântico-neoliberal das capacidades extraordinárias dos nossos concidadãos em vários projetos de caráter artístico e económico. E isto estava a fazer falta, é certo. Mas veio em reação. Mais uma vez, efeito!
Mas qual é o caminho? Bem, não me considero a pessoa ideal para indicar qual é o caminho. Considero-me sim, uma das várias pessoas que permite re-colocar a conversa num ponto de vista da TRANSFORMAÇÃO. Por outras palavras, é necessário contribuir para uma nova conversa sobre transformação, isto porque a dor, a frustração e o medo começam a surgir, já não como sintomas, mas como chagas na nossa comunidade, na qual surge uma altura em que é impossível não responder a!
O meu simples apelo é: Junta-te à Transformação!
Bem haja!
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Publicado: Maio 24, 2011 | Autor: Luís M. Inácio | Filed under: Ética, Design, Filosofia do Design, Teoria | Tags: Ética, Design, Filosofia do Design, Teoria |
Está disponível uma das minhas comunicações, Is the Design(er) Able of Enkratic Behaviour?, apresentada em 2006 no Wonderground de Lisboa, no sítio: http://independent.academia.edu/LuisInacio/Papers.
Para quem estiver interessado, deixo aqui o resumo (em inglês):
We believe designers ought to be able to perform their activity in a “good way”, assuming that their actions transform the everyday life for better; however, endorsing a close analysis to some of the consequences of the design activity, we realize that the impact of the designed is, sometimes, a negative one. Can we explain why the design activity doesn’t have a consistent ethical behaviour? To answer this question, we will discuss a meta-moral philosophy of design framework – in connection to philosophy of action and moral philosophy – discussing, in this paper, the: (1) the morality of Design, and, (2) moral actions of the designer. Determining if it is possible to account a pre-responsibility on the designer, on is actions, providing a reflection on the enkratic (mastery or continence on moral actions) and therefore akratic (incontinence in moral actions) behaviours. In this sense, we will not focus our study of akrasia in the objects, the consequents of action of the designer, but in the process, construction of intentions, and the subsequent actions performed by the responsibility of the designer.
Keywords: philosophy of design, design ethics, design theory.
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Publicado: Março 2, 2011 | Autor: Luís M. Inácio | Filed under: Ética, Comunicação, Política, Sociedade | Tags: Ética, Comunicação, Geração (à) Rasca, Política, Sociedade |
Estamos confrontados sociologicamente com um fenómeno que adoptou a etiqueta ‘Geração (à) Rasca’, e este torna-se um fenómeno social na medida em que se tornou num fenómeno comunicativo. Este fenómeno aparece como impossível de contornar pois torna relevante uma tomada de posição em relação a ele (ainda por cima porque tem agora um hino, a música dos Deolinda, que multiplica os media que surgem com referencialidade para a própria etiqueta apresentada, que também se auto-propõe com as referências que supostamente surgem nessa música).
Ora, como qualquer fenómeno comunicativo, este desaparecerá, mas os problemas que supostamente o fenómeno representaria continuarão a subsistir (e já existiam muito antes deste fenómeno surgir). Assim, ao analisar este fenómeno, temos de ter em atenção não só a efemeridade, como também os problemas de fundo que são problemas operacionais e complexos que têm de se ter em conta. Isto serve para ressalvar a tentação teórica de atribuir a culpa, e a possível solução, a um só fator. Leia o resto deste artigo »
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Publicado: Novembro 26, 2010 | Autor: Luís M. Inácio | Filed under: Ética, Design, Designers, Economia | Tags: Ética, Design, Designers, Economia |
No interessante artigo, El lucro distorsiona el buen diseño, do website da FOROALFA, Santiago Williams censura a atitude dos designers, e também da publicidade, de se preocupar apenas com o dinheiro, esquecendo-se das bases do ofício. E qual é essa base? A de que o design ‘é uma actividade humana, que tem o objectivo de encontrar uma solução criativa para uma necessidade de comunicação’ (“Es una actividad humana, que tiene el fin de encontrar una solución creativa a una necesidad de comunicación.”). Leia o resto deste artigo »
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